Voem, voem, voem

 
Voem, voem, voem:
Como pombas voem.
Voem alto, voem rápido.
Voem me libertando.

Perfurem os céus,
com toda a bagagem.
Levem essas roupas velhas
Deste homem desconfigurado.

Ah, carreguem-me,
deixem-me nas nuvens,
minhas lágrimas têm
mais força que o dilúvio.

Cansado de carregar
o peso de capítulos,
de páginas dilaceradas,
de um livro sem capa.

E ainda, tristemente,
cavalgam os tolos
homens conduzindo
seus selvagens egos.

Sou humano;
sou humano;
sou humano;
Ah, sou humano!

Balancem meu corpo,
Furtem minha fantasia,
desejo aquele tecido
que vestem almas puras.

Ressuscitem meu espírito.
Primeiro, eu matei Deus.
Depois, também matei
minha natureza.

Poetizem, pobres almas.
A vida é um cova,
seus sonhos,
flores mortas.

Aleluia!
Aleluia!
Aleluia!
Aleluia!

Além dos lobos,
existem dentro de nós,
tristes aves, pulsando
liberdade.

A ilusão nos guia,
os bêbados, nos conduzem,
os deuses, nos humilham,
os homens, nos destroem.

Apenas, cacos:
De pedaços
a pedaços,
construo outro personagem.

A revoada chegou,
os pássaros vieram,
eu, enfim, vestirei
um par de asas.

E seguirei viagem,
deixando em cada
estrada, centenas
de atores desgraçados.

Voem, voem, voem.

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