O contorno da gaiola

Não há direções,
não me ensinem
quais caminhos
seguir.

Um afogado
no próprio
oceano de
lágrimas.

O que há
veio do nada.
E o que não há
se molda ao pensar.

Estou nas densas
colinas que habitam
aqueles que sabem
da obscura realidade.

Os arcos 
testemunharam
o sangue melífluo 
cantando a liberdade.

Voam os corações
que aprendem
que a culpa
é uma gaiola.

A fumaça se enfraquece,
o turvo se diluí,
e a força uivante pulsa
como um bêbado em nós.

O passado nos acorrenta,
o presente nos entorta
e o futuro nós consumimos 
diante da derrota.

Por favor, expliquem 
como uma tola explosão
criou a realidade e feridas
implacáveis no coração?
 
Nem átomos, 
nem nada,
sou o vazio
transitando no escuro.

Cores são pífias,
há apenas o antes
da putrificação. 

O gênio maligno
conduz o real
e os tolos acreditam
nos teus sinais.

Uns desenham 
o melhor caminho,
e eu passeio no
ar.

Na minha
gaveta não 
existem heróis
e nem livros sagrados.

A vida é 
apenas nada
desenhando o tudo
em nossos corpos. 

O sangue escuro
percorre meus pulsos
desenhando minha
história.

Vermes poetizam 
a carne podre 
que consomem
de mim.

O pesadelo refugia-me,
pois eu sou o monstro
que alguns temem 
e outros fogem.

Creio mais nas
espadas ferozes
que nos espinhos
que rodeiam às rosas.

Os tons cinzas
e pretos me abraçam
melhor que o colorido
do céu.

O tempo é um nada,
e são os nadas da vida
que nos machucam tanto.

Eu sumirei,
ante a inúmeras covas.
E o ar fraco que possuo
recobre as folhas mortas.

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