2018: Ruínas e Recomeços

Com inegável preocupação mergulhei descontente e depressivo neste ano, e os acontecimentos por vir, consolidaram minha desesperança em cada segundo adiante. Todavia, a minha vida teve um lado também alegre; existiram  pessoas encantadoras e algumas vieram com muita potência em compartilhar seus momentos comigo. Algumas amizades me magoaram, contudo perdoo-as, assim como também espero que me perdoem pelas feridas que causei.

Um novo olhar, antes nunca contemplando, conduzia minha visão a dor e ao aniquilamento. Constatei uma sociedade doente, um mundo que caminha em passos rápidos para um abismo social e intelectual ainda maiores que os atuais cenários. E confrontando sombras que me compunham, descobri guerras e monstros que habitam dentro de mim.

Concluí melhor a leitura de “Crer ou não Crer”, de Leandro Karnal e Pe. Fábio de Mello.  Considero este livro muito interessante, são trazidos alguns conceitos fundamentais da fé humana e a hermenêutica religiosa enxergada por diferentes doutrinas.  

Ri bastante com o “Analista de Bagé”, do ilustre escritor brasileiro, Luis Fernando Verissimo.  Outro livro marcante foi “Capitães da Areia”, de Jorge Amado. No início do ano, conheci algumas poesias intensas de Bertolt Brecht em um livro que reunia inúmeras de suas obras poéticas; também amei o livro de uma escritora/professora que reside no Espírito Santo, Josy Bittencourt. O livro de poesias “Com Fissões” me invocou sentimentos incomputáveis e profundos. 

O velho e o mar, de Ernest Hemingway, fez-me viajar com um velho pescador na sanha de capturar um enorme peixe. Uma obra em que o mergulho na história lhe deixa marcas. O contexto da história nos revela que é muito mais que um velho pescador e um enorme peixe.



Como todo tempo, contado em um breve calendário, sempre é conflituoso interpretá-lo. 2018 compõem-se de tragédias e recomeços. Um ano com infinitas estrelas, e o desejo do homem de criar a sua; e como todo desfecho, na busca pela estrela, desenvolve um míssil.


O protagonismo mundial esteve acalorado em duas grandes potências. China e Estados Unidos promoveram uma série de medidas econômicas uma contra outra, desta vez, em um tom de guerra comercial. Logo os efeitos cascatas atingirão países emergentes, como o próprio Brasil; com isso tais consequências começam a despontar. Há quem pense que a China sairá vitoriosa, caso esta guerra não tenha um fim claro.

No encontro do G20, Estados Unidos e China, diminuíram o tom e passaram uma imagem de trégua; contudo, o fim da guerra comercial ainda parece longe.

Outros protagonistas continuaram a influenciar notoriamente seus países e o mundo. Vladimir Putin ganhou a eleição russa. Macron presenciou revoltas contra seu governo. As mulheres também se destacaram. Thereza May tenta um acordo complicado com a União Européia sobre o Brexit. Angela Merkel lida com um parlamento conflituoso.

O ano não foi um dois mais bons para alguns líderes, principalmente o uso das redes sociais atraiu milhares as ruas em busca de suas reivindicações. O Brasil, por exemplo, sofreu com a greve dos caminhoneiros. As manifestações foram apoiadas por um grande número de pessoas, mesmo com as enormes filas em busca de gasolina e produtos que faltaram em consequência do primeiro. Alguns caminhoneiros aproveitaram da situação para pedir uma intervenção militar. Uma lástima que grupos com tendências por governos autoritários, fascistas, preconceituosos aproveitem dessas causas e ganhem espaço e força na Internet.

O resultado das eleições brasileira é um desastre. Outro fenômeno que a história irá estudar intensamente. Repeli de imediato o resultado das eleições presidenciais. Um símbolo, conduzindo milhões de brasileiros ao espetáculo de suas burrices e preconceitos. Cheguei a entrar em conflito com alguns colegas, parentes e conhecidos que votaram em Bolsonaro. Contudo, eu sinceramente, espero que eles vejam o erro grave que cometeram. Um congresso cada vez mais conservador conquista eleitores e muitos votos. Ainda piores são aqueles que dão pitaco na vida dos outros, ademais eufemizando seus preconceitos na religião.

A prisão do Lula e o surgimento dos “coletes amarelos” na França serão cenários muito estudados adiante. Outra questão discutida será o resultado final do Brexit, no Reino Unido. A política tradicional sofreu reveses em boa parte do mundo. Entretanto, existe o perigo de que as redes sociais, cada vez mais crescentes, busquem líderes autoritários e fascistas. O mundo está cercado deles, mas agora há um sentimento de superioridade e totalitarismo crescendo nas redes sociais.   

Prisão do ex-presidente Lula
Coletes amarelos na França

Principalmente, em referência à “conexão mundial” acentuamos os passos aos efeitos deste mundo cada vez mais interligado. Um cenário complexo, com efeitos massivos.  Outro efeito das redes sociais no Brasil, por exemplo, foi como a eleição presidencial fez-se; os políticos usam estas ferramentas e mecanismos para exaltarem sua imagem. Infelizmente, muitos preconceituosos ganharam força; e outra apreensão
é uma busca pela consolidação que a extrema direita realiza, em especial atraindo pessoas na internet .

Não há tempo. Todos sabemos que por mais que os anos passem, não é um calendário que nos muda, são os acontecimentos que ocorrem em nossa vida. A partir do distanciamento, nós iremos compreender muitas coisas que aconteceram. Chorei muito, sorrir bastante. Espero abandonar inúmeras máscaras este ano, e libertar-me de prisões internas.


Docemente arrastava-me
Até perceber que o equilíbrio
Colocava-me de pé

Foi neste impetuoso destino
Que soube contemplar o caos 
Rejeitar os passos e arrastar-me 
Como um verme na sanha da
Ignorância

E passavam-se os dias
E mais tênue a estrutura
Da porta fazia-se

Ingenuamente pensara
Que o tempo não era nada
E quando soube
A criança havia me deixado
 
O colorido fez-se bagunça
As lágrimas, poesias
E o coração um ser 
Cego e violento.

Não é o tempo, 
É o caminho,
Andando,
Vem na consciência
De que a felicidade
Era simples naquele
Corpo miúdo e grandemente
Aventureiro.

Vem anos, 
Vem os cabelos brancos,
Mas há sempre aquela alma
Daquela criança
Que enterrava pássaros 
E sorria até na desesperança.

Com martelos nas mãos
Preguei-me
A ilusão

E sobre  o solo manso
Plangia meu perdão

Os amigos que vem 
Os desconhecidos que vão.

Os sinos da fé
Um livro da razão

Uma vírgula estreita
sobre um sonho abandonado 

Um ano escrito 
Que termina sem palavras

A vida é um teatro,
Um desordenado palco
Que faz de um artista
Um simples bárbaro

A carne ferida
Amante de 
um coração puro
E pesado como algodão 

E na grande árvore
Balança minha alma
criança com belas
imaginações

Ah, caí muito!
Com tantas quedas 
Lembrei que minha criança
sabia voar

E como ser livre
é meu lema,
Voar é voltar
no tempo

E volto sem deixar
De ser o que o tempo
E o caminho me fez.

2 comentários em “2018: Ruínas e Recomeços

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