O nome do tempo

Esse cheiro de merda
esse cotidiano bruto
esse discurso cru
essa visão torta

Homens e mulheres
com ódio nos olhos
Empurraram a porta
Da casa velha

Entraram nos cômodos
E libertaram o gélido hálito
Do porão da casa tétrica

O hálito que tais chamam de
Revolução, mas que em todos os
Lados e cantos escondem morte
E solidão

Escancarados foram os
Porões do tempo
E os bons sentiram a liberdade
De odiar e matar

E nos porões esta liberdade
É o fruto das grades:
Os cadeados que clamam a liberdade,
Mas nunca buscam a chave

Iludiram impiedosamente a razão
Que sempre caminhou tonta
E cheia de arranhões em quem
Insiste na ideologia da nação

Coloquem o fone,
tampem o nariz
Pois todos preferem
Esse mundo de conexão

A banalização cavalga,
A alienação resplandece,
O herói surge

A liberdade deu a luz
Ao escravo que caminha
Com grades ligadas à conexão

Há quem chore,
Há quem apanhe,
Há quem mate,
Há quem morra
Ao som do hino nacional
E a bandeira sobre vossos peitos

Sorriem os bêbados,
Os comerciantes cantam
Com um policial fuzilando
Um ladrão na estação

E sobre os espelhos
Dos smartphones
Sua cabeça estraçalhada
ganha sorrisos da madame
E aplausos do senhor

E os mesmos cidadãos
Compram na olx um iPhone
De apenas duzentão

Os loucos, de longe
choram no hospício
Por não entenderem como
São loucos e os outros
São exemplos de cidadãos

O cidadão que canta o hino,
E que segue uma religião,
Mas que não sabe sua classe
E beija o patrão

Com facas e fardas
E celulares na mão
Os patriotas pintaram a bandeira
com o sangue dos próprios irmãos

Esse verde e amarelo
Que é misturado com
O vermelho das ruas
E dos pobres sobre a terra
Sem identificação

Uns veem revolução,
Eu vejo destruição
Com facadas de alienação

E quem sou?
Apenas um humano
com sangue nas mãos,
pensamentos alienados
E um ponto sobre a multidão
Aos velhos, aos novos:
Cuidado, o tempo volta!

Aos velhos, aos novos:
O futuro também é passado!

Aos velhos, aos novos:
O que tens chamado de revolução?

Aos velhos, aos novos?
Cuidado, conexão, também ligam os ignorantes!
Ou os fazem!

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