O vazio espaçoso

                                                                                                 
Vagando tão enojado
que um aperto de mão
é um escárnio 

Magoados com aqueles
que amei
e deixaram-me
aos trapos

Há momentos  que
um segundo faz-se
um século de tenebrosidade

Pergunte a quem amou
e foi rejeitado
o que o amor esconde
nos retalhos

Sorrisos que abraçam 
E dilaceram ao som
do vento sereno
do destino

Afagos do tempo 
são como bofetadas 
Nos acordando para
o agora

Verbos na boca do amigo
São como espadas enfiadas
na garganta

Árvores caem
sementes quebram-se
ao mesmo tempo
em que beijo a terra

A minha carne putrificada
onde cantam os  méleos 
vermes edazes 
caminha no balaço do
aniquilamento 

Embalada nos braços
conduzo a minha dor
e a dor da minha geração:
— essa pobre gente
que nasceram na era
da conexão,  mas 
a compaixão ainda voa 
longe.





Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s