O tempo volta

Esse cheiro de merda
esse cotidiano bruto
esse discurso cru
essa visão torta

Os homens e mulheres,
empurraram com força
a porta da casa velha, entraram
e na casa libertaram o gélido
sangrento e macabro hálito do porão
da residência trépida

Os porões do tempo
abriram-se
e os bons sentiram-se livres
para odiar e matar

Os racionais acenderam
a chama:
A chama que incendeia a razão

Coloque o fone,
tampe o nariz
que o ódio vem
cuidado, o tempo volta

Pegaram meus amigos
meus conhecidos
e levam em passos ríspidos
minha esperança

Uns morrem pela bandeira
outros por causa dela
Os bêbados da rua sorriem
Os comerciantes cantam
olhando o assaltante caído
na rua
atingido pelo cidadão de bem

Os loucos, de longe
choram no hospício
vendo que lá fora
os loucos são livres

A sociedade aplaude escancaradamente
O tempo da espada e do herói ressurgir
misticamente na cabeça dos jovens e
dos robôs de carnes

Até os religiosos
exaltaram o hálito da brutalidade
humana
Os patriotas com facas na mão
pintaram a bandeira com o sangue
dos próprios irmãos

O porão emana a vontade
do povo
O povo é um animal
instintivo, que quando quer
oficializa e banaliza o mal

Não sei mais viver
sem chorar pelos enganos
que o homem comete
invocando revolução.

E quem sou?
Apenas um humano
com sangue nas mãos
pensamentos diabólicos
e uma pessoa tão besta
que um dia amou a solidão

O hálito conduziu milhares
ao porão, em corpos que agora
pediam perdão
Aos velhos, aos novos:
Cuidado, o tempo volta.

4 comentários em “O tempo volta

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