Cicatriz

Uma velha cicatriz
acorda-me todos os dias,
sangra como no segundo que
surgiu.

O suor de meu rosto amarelado
vai de encontro com suas profundezas
ensaguentadas.

O coração anda tão fraco
que mal bobeia sangue para
aqueles lados.

O sangue está secando,
assim como minha pulsão
pela vida.

Já que esta cicatriz
rouba-me tanto da vida,
às vezes acho que sou
ela própria.

Sou a ferida da cicatriz,
pois quando se fecha,
eu a abro novamente,
porque quando o sangue esgota,
faço jorrar novamente.

Sinto-me como a ferida do mundo.
Como uma força que tende a destruição.
Sou uma pústula da alma,
Uma lesão a vida.

Não irei longe com
as pernas lesionadas,
e onde  chegarei
com o espírito amedrontado.

Não sinto o doce da água,
nem na praia sinto o sal,
tudo transformou-se em nada,
carrego há muito tempo um coração
pesado,
que nem sinto a vida em meus braços.

Quero um dia libertar-me,
mas sei que a liberdade é dolorosa;
estou cansado e amargurado,
nem sei o que amanhã será de mim,
pois hoje eu estou muito machucado.

3 comentários em “Cicatriz

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