Universo suum

Minha alma é o universo que reside dentro de minhas trincheiras. O corpo pulsante, costurado de carne, feito de ossos, aprisiona as estrelas que brilham no meu interior e fazem dos meus buracos negros uma voz de terror.

Aterrorizante viver onde não estou.
Eu não vivo no lugar em que eu aconteço.
E sou uma representação de ideias que débeis fazem quem sou.
Há dentro todos os personagens
que eu acredito que sou.
Porém o eu é apenas uma ilusão que faz pensar
quem eu sou.

Sofro tanto que às vezes penso que o Universo não gosta de quem sou. Desde meu nascimento, olhava as estrelas, quando as apontava, verrugas me atingiam. Soube então que eu era uma repulsa cósmica. Anseio dia e noite, principalmente nas noites que minhas lágrimas afogam meu brilho, que o meu universo concilie-se com o Universo de todos.

Visitei vários rios em meu sonhos, na busca de encontrar a fonte de meus venenos, mas descobrir que enquanto vivo for, eles serão produzidos nas adegas inconscientes do meu ego.

A força morre devagar neste universo que eu criaste. Não há leis que a regem, apenas acasos que a enfraquecem. Os inimigos moram na minha carne, fazem de dentro seu espaço macabro. A alma é o que de mais real tenho do Universo.

Raras coisas direciono meu medo, mas temo a realidade que eu desenhei. Não estou preparado para olhar-me no espelho, tampouco enxergar minhas máscaras diante a sociedade, que agora, reflete personagens atormentados que vestem figuras e fazem da vida um péssimo teatro.

Faço um pedido: jamais deixem seu universo se tornar incontrolável. O Universo de todos, nós não controlamos, todavia devemos guiar o nosso próprio. Hoje esse cadáver que escreve, deixou o universo ser um caos, e estou a deixar minha alma apagar-se.

A depressão perdeu a luta para a alma. Eu deveria ter transformado minha dor, porém eu deixei ela guiar-me para o meu fim. A depressão deve ser transformada, pois quando reprimida, ela faz composição ao tom da alma.

Se eu amanhã não acordar, quero que saibam que eu sempre estou a lutar. Às vezes a luta é o silêncio que nós produzimos. Contudo, o silêncio ensurdece mais que um estrondoso grito.

Eu vou lutar pelas estrelas que eu criei.
Vou resistir pela lua que pulsa em mim.
Vou compreender meus buracos negros.
Eu vou amar o universo que eu inventei. Eu vou amá-lo.
Quem ama o seu universo, também compreende os outros.

O universo não é somente onde as estrelas moram, é também o lugar onde nós somos. Tudo que há é o Universo de todos, tudo que sabemos e sentimos é o nosso. E tudo que transmitimos interfere nos de todos.

Quanto mais amor criarmos, haverá mais amor nos universos. Quanto mais ódio sentirmos, na mesma proporção, haverá nos outros. O amor e o ódio existem em todos os universos, por isso, devemos entender os mais difíceis sentimentos que nos compõem.

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