Agulhas uivantes

Entender-se é como mergulhar em rios de agulhas uivantes,
colidir com a própria face no espelho emaranhado da consciência;
fiz deste meu corpo uma proteção delirante,
nem notara que meu ego era veterinário de feras tenebrosas;

Encontrei nas estradas os amigos,
deixaram-me alegres antes de suas partidas;
Foram-se todos, não me  amavam, nas suas idas
olhavam-me sem consideração, descobrir que enquanto
apreciava cada segundo em suas companhias, eu apenas
era alguém a ser ouvido, mas não escutado;

Buscando a vida,
Encontrei meu cinismo;
Ajoelhei no barro,
no concreto,
no solo ardente,
e nada escutei além
da dor presente;

Alguém abandonado na chuva,
e mesmo visto, é ignorado,
mesmo sentido, é deixado,
sou eu, um ponto energizante,
que insignificante, grita com
o universo;

Eu não sei sofrer,
bebo de mais dessa fonte,
a ponto de afogar-se,
e quando retirado, empurrar-se
de novo.

Há dentro alguém atormentado,
que arranha e corta o tecido
da minha alma;

Com pesar, vos digo:
— Não sei quem bate,
mas sinto.

Caí tantas vezes,
que nem sinto o chão;
apenas o sobrevoo, não toco,
nem sinto, vê-lo é ter fé;

Os sonhos ilustrados
nas altas colinas,
desbarrancaram-se nas tépidas
montanhas babélicas;

Sou doente,
sou invejoso,
sou louco,
e finjo inteligência;
Dentro há o nada
além de lágrimas uivantes;

Todos os dias sou abandonado,
e há outro problema:
eu também me abandono.

Sinto-me só,
eles foram,
eu fui…

E agora, quem sou?

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