Pombas da paz

No céu não há pombas
Nem resquícios de paz
Temos os mísseis
Gritando pela norma

O sábia canta pra lá
Ouvimos é o Gripen berrar
O pardal canta longe
Os tiros cantarejam de cá

Em terra de balázios
Pombas voam longe
Em guerras comerciais
O proletariado chora
Na estação

Em um mundo barulhento
não há aves para piar
Há o barulho de obuses
Escutados nos corações
Dos sabiás

Manifestamos dor
Manifestamos amor
Manifestamos liberdade
Manifestamos solidariedade

Uma simples manifestação
Resultou em confusão
Um desejo de liberdade
Converteu-se em repressão
Os sírios queriam manifestar
O canto de seus ancestrais

O canto da liberdade
O canto da paz
O canto democrático
O canto da revoada

Receberam o decesso
E o ditador cortou o canto
Morreram todos roucos
No esgalho da esperança

Mas a canção não está
Somente na boca
Bate junto ao coração

Primavera é um novo ciclo
Primaverar é um gozo
Nascem as flores do amor
E as pombas da paz

Primavera árabe é um ciclo
Que veio para marcar
Ao surgir a revolução
O velho sempre quer ficar

O sangue é o pássaro
Que canta na guerra
A ave que sonha
Com um mundo poético

Os grupos terroristas
São ratos quem sonham
Em serem pombas da paz

O fechar das fronteiras
fez-se melodia mundial

Nas terras de meu ancestrais
A xenofobia enlaçava os braços
Todavia o muro de Berlim fora
Quebrado com punhos de asas

Os ditadores jamais conhecerão
A força de um Machado

Do Machado de Assis
Do machado da união
Do machado da esperança

Em terra de ditadura
Sempre surgem primaveras
Trazendo novas canções

A canção do amor
A cancão da liberdade
A canção dos artistas
A canção da paz

A terra não pode estar
Presa no símbolo da ONU
Ela deve estar fixada
Ao lado do coração

Não temos discursos
Temos são palavras
Como abraçar uma criança
Que teme um aperto solidário?

confundem câmeras com armas
Abraços com sufocamentos
Estrelas cadentes com mísseis

Em terra de atentados químicos
Não existe ligação covalente

Covalência de acordos
Covalência sem paz
Covalência da desunião

Em terra de biologia
Na natureza não se intervém
Em terra de política
Na guerra jamais interpõe-se

No céu não há pombas
Nem resquícios de paz
Temos os mísseis
Gritando pela ordem

Em terra de ninguém
Todos fazem seu estado

O estado com fronteiras
O estado da ignorância
O estado da guerra
O estado incivilizado

Somos pássaros sem asas
Humanos sem humanidade
Metonímias da guerra
E primaveras ambulantes

Chegará o dia da revoada
E todos os humanos
Estarão de braços dados
Cantando o som do coração.

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