Fechadura

Porta fechada:
Espaço aniquilado
Dentro da alma
Sobra apenas o
Estrago

Não posso abri-la
Os gritos ecoados
Estão enterrados
Neste buraco

Fiz deste lugar
Meu esconderijo
E ele fez-me
De aprisionado

Na janela vejo
A tempestade chegar
No interior a escuridão
Tomou seu lugar

Eu queria sair
Dizer que amo viver
Todavia tenho medo
De ser

Eu não conheço-me
Um dia eu ria da minha vida
Hoje é o choro que manifesta
Nas minhas euforias

Jamais poderei
Classificar o que
É um sorriso, nem diferenciar
um há, de um nada

Quando eu sorria,
Ainda nem sabia contar até dez;
Quando abraçava,
nem conhecia o verbo sofrer.

Todos eram bons
Na minha imaginação
Nem existia ódio
Tampouco solidão

Antes de vir
Leram minha história
No alto do firmamento — disse:
Eles saberão o que é viver

Eis aqui estou
Coitado daquela energia
Não sabia o que viveria

Não sei quem sou
Não estou nos livros
Nem na música
Apenas na poeira que
Cerca a vida

Estou no fundo
E sempre indo a baixo
Estou explodindo neste
Corpo enraivecido

A raiva tornou-se dor
O riso fez-se lágrimas
O canto transformou-se em berro
A vida em parcelas de dor

Abriu-se a porta:
Era o fim deste narrador —
encontramos este pobre ser
debruçado sobre sua dor;

Quase impossível
abrir sua porta,
todavia a quebramos
com punhos de paz;

Gritos e lágrimas
cantavam em toda parte,
e todas as substâncias
em ebulição estavam;

Este ser queria estar só —
porém não deixamos:
destruímos a porta,
saíste uma figura estranha;

O narrador não era mais
como todos nós;
seu sofrimento era intenso —
sua tristeza uma condição;

Encontrava-se medonho;
gritava e plangia —
chegamos tarde;
estava muito machucado;

Meu temor é que
este não possa
se recuperar;

Apresenta-se solitário,
porém agora, sem sua porta;
não está mais preso;
no entanto, sua dor
ainda pregava;

Dor de um alguém destruído —
Que de chorar tanto
Esqueceu-se da vida.

Minha ex-porta:
Destruíram minha porta
Me arrancaram do meu abrigo
Agora, tenho que viver
Como todos os outros

Não odeio ninguém
Odeio-me
Não sou ninguém
Sou o tudo

Tenho dentro
Os piores
Tenho fora
Os medrosos

Vou tentar viver
Soube que ninguém acredita
Que um dia possa ser feliz
Contudo, eu irei crer

Irei sorrir chorando
Irei cantar gritando
Irei sofrer amando
Irei viver caminhando

Um dia com você
Eu estarei
Não terá porta
haverá entre
Nós o amor

 

 

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