Frenesis frouxas

Um dia ensolarado
Vale mais que um rubi
Nestes dias de frenesis
Que andamos entre a mil

Vivemos neste mundo como
Um pássaro num canil
Uma galinha em uma savana
E uma bandeira erguida no Brasil

O espelho da dor
É formado em nós
Devolvemos nosso reflexo
Sorridente e gentil

Porém lá dentro
Não temos imagem
O sofrimento nos
Consome junto ao
Café da tarde

Uma pergunta
De nuance diferente
Que mesmo inocente
Despedaça a gente

Não se vende sorrisos
Nem gozos de alegrias
O máximo que temos
É um olhar penoso
De um falso amigo

E dizer o quê
Em um mundo
De dicionário
Vô jogar tudo pro alto
E catar o abecedário

Sou nada além
De um triste músico
Que faz das lágrimas
Uma melodia desarranjada

Na carência
Todavia sorridente
Sorriso frouxo
Que vai até nas
Costas

Achei ser poeta
Mas era apenas um letrado
Que de vez em quando
Salta do armário

Todos somos presos
Na nossa própria carne
Vendida no açougue
Da rua da desgraça

Nem físico
Nem químico
Nem suíço
E sim um louco bicho

Em barco à deriva
Sou o pescador
Sem direção
Que olha para o norte
Do próprio coração

Nessas frenesis rotineiras
Tenho apenas uma recordação:
De correr da vida feito um leão.

 

 

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