Hipocrisias engendradas

 

Matei os sonhos
Assassinei os poetas
Prenda-me

O tempo não tem tempo
Que dure em um antigo tempo
todo o tempo é um fragmento
minúsculo ou amplo

Somos feitos de poeira estrelar
E aos poucos desfarelamos 
Não ao efeito da época
Mas ao prazo de uma ocasião 

Descobrimos que todos enganam
Nem o sofrimento dos poetas
cantam como vozeiam no papel

Morrer no agora
É ser esquecido no amanhã

Os pássaros que cantam de manhã 
são também criminosos 
Matam seus conjugês
em barro putrificado 

O belo é enferrujado
O triste é moldado
A fera é acordada

O coração que hoje pulsa
Está no mesmo corpo
do suicida que pulará 

Saltos ao abismo
Pinotes na escuridão
Luzes que embriagam 
Breu de confraternização 

Antes morrer com dor
do que com ela viver
Antes sossegar em um caixão
ao revirar-se pela insônia 

E aos poucos o artificial encaixa em nós
Os poetas e escritores estão à ruína
Existem hoje poetas que não sentem
Escritores que nunca quebraram o lápis
Há escreventes que jamais rasgaram uma folha

O desgraçado do 76 podou uma árvore
Ela estava sujando a calçada 
O maldito da esquina pôs venenos aos gatos
Pois estavam sujando também a calçada

Todos anseiam pela limpeza
E por dentro continuam podres 
Não há o que tosquiarem em si
Nem vermes os querem
E vivem com saúde 

Tudo está apático
Nem lágrimas caem pelos inocentes
Ganham apenas likes em suas fotos

E aos poucos o universo morre
Viva aos seres que nele habitam!
Chegará... não, nada chegará
Tudo continuará a mesma hipocrisia. 





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