Não chorais pelo sangue derramado

Eu sei o que é o mal
Mas nunca estive em sua presença
Então um dia ele me encontrou
Contou seus dizeres, e suas angústias

Tolos nascemos nós
O mal não é a gente
O mal nasce com a gente
Ele desenvolve em nós

Não escrevo misticismo
Todavia sei que bem e mal
não são conceitos
São forças dentro de nós

Alimente seu bem, logo verás uma semente
Dê sustento ao mal e veja sua mente
Ela chorará, sua consciência gritará pelo socorro
E você sumirá dentro de si, e será velado aos
poucos pelo fôlego que fugirá

Eu soube que ele não se arrependeu
Redenção não estava em seus planos
Sua boca transcendia o grito dos desesperados
Seu olhar profetizava a vinda da morte

Levara os maus para o buraco
E juntos foram os inocentes
Caminharam os urros de perdão

Abateu sonhos, ressuscitou o verbo
Transformou todos em carne pútrida
Perverteu os heróis da nação

Assassinou aos 30 anos
Um jovem de 18 anos
O primeiro crime; o sangue protagonista

Sua noiva, uma dama
Era sinônimo de felicidade
foi assassinada por um jovem

Saíra ao banco, e encontra o revólver
de um jovem irresoluto
O garoto lhe roubou

No meio do desfalque, o homem avistou
sua noiva entregando seus pertences
Sempre enfurecido, foi ao encontro
Do jovem que excedia a morte

Lutaram, espancaram-se
Durante o confronto a arma disparou
E sobre o peito da mulher pediu asilo

O corpo da noiva esfriava no chão
Nunca mais ouviria seus gritos de amor
O último berro foi de dor

E sem considerar às consequências
Fez do Código de Hamurabi sua constituição
Matou o jovem e chutou sua cabeça
Aniquilou sua chance de redenção
Morreu criminoso, terás apenas o choro de sua mãe
E seu assassino possuirá o perdão
Pois para eles bandido bom é bandido morto

No enterro da nubente morta pelo jovem
Demonstrou toda sua fraqueza
E não sabia ele que chorava em posse
de seus últimos sentimentos

A morte do rapaz incitou vingança
E ele desejava o ódio
Considerava matar todos
Mas antes deveria matar a si próprio

E seus inimigos aos poucos
viraram nomes em lápides brancas,
em túmulos quebradiços

Mas ao olharmos para o sangue
Ele também olha para nós
Conheceu os poderosos
Os homens que traziam a morte

Matava sem remorso
Dizimava sem culpa
Anulava em sua mente todos os
gritos e súplicas dos padecedores

Descobriu que o sangue tem vida
E que ele conta histórias
Que nunca esfria-se
e jamais perde sua cor

O sangue é poeta
O sangue clama à justiça
O sangue pede abrigo
O sangue marca capítulos

Ele é o único intérprete vivo
de sua história de terror e melancolia
E está pronto para descer à cova
de onde suas vítimas
e sua noiva estão em sua espera

Ele veio me procurar
E dei de cara com o mal
Contou seus crimes
Desabafou comigo

Sou psicóloga criminal
Mas ele não quer perdão
Anseia por um ouvido que ouça sua narrativa
E conte posteriormente aos outros

Eu disse que não contaria sua história
Pois nossa conversa é sigilosa
Ele então levantou-se

E depois sentir na minha testa
seu instrumento
Com esse método ele me faz
escrever essa poesia

Ressalvei ao seu pensamento
que a história não estará no papel
E sim na sua mente coberta de sangue.

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