Cortastes minhas asas, amigo

Não chorei ao nascer
Tampouco cairá gotas ao morrer
Costurei minha alma na carne
Carne suicida, carne cética

Liguei aos céus, pedindo asilo
Recebi tonturas e ecos do destino
Eu fui apedrejado pelo olhar do forasteiro
Dizia ser amigo, apunhalou-me sem cessar

Direi poesias ao céus, como forma de luta
Direi palavras na terra, achando ser ouvido
Morrerei sangrando, na boca da ponta da espada
Não derramarei, sobre sua terra, meu lamento

Deixe-me ir, há momentos em que o suor esfria-se
A garganta sangra de tanto verbalizar
Você me enganou, dizendo ser amigo
Fizeste do meu choro tua melodia

Peço-lhe que veja minhas marcas
Você nem liga, olha-me com um olhar sútil
Temendo que minhas asas sejam maiores que a sua
Você cortou minhas asas, amigo

Eu não posso voar
Estou preso entre a roda e o arrenque
Sou daqueles em que voam, daqueles que sonham
Tu cortastes minha asa, amigo

Exige minha melhora
Desejas que meu corpo ande com os extasiados
Obriga-me em andar entre o silêncio da batelada
Sonhaste com você, mas antes de cortar minhas asas

Agora, vejo-te na impureza do seu destino
Minhas asas não tinham penas, eram feitas de sonhos
Não reclamo seu amor, não temo seu silêncio
Vá!
Já levaste meu coração, amigo.

2 comentários em “Cortastes minhas asas, amigo

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