Fundei-me na crônica

Vários dilemas, fracassos, sucessos, túneis sem luz, estradas esgotadas. Estava preso no meu próprio tempo. Senhor, onde estava meu clamor? Pois clamaste ao senhor, e recebeste eu o silêncio e o deboche do destino.

Não irei perguntar para os ecos do vento, onde está meu perdão. Quero saber quem estava brincando comigo. Não, isso não pode ser uma brincadeira; somente se meu destino estiver na mão de um menino brincalhão, deixando meu coração cair do balanço da árvore direto no buraco do chão.

Sim, estou no fundo. Estou na lama. Mas, aprendeste que o fundo é sequer um findável. Meu fundo não há fim, tampouco seja infinito. Eu e os dias aumentamos a profundidade, às vezes reentrante, em outras apenas marcando uma reminiscência. Porém, ainda não sei se o fundo é sinônimo de negativo.

Não faltaste isso nas pessoas, boa parte apenas olha o caos. Aprenderam a reprimir o sentimento. Pois nelas o fundo foi tampando com cimento; este composto por derrotas, humilhações, traumas, lamentos e culpas.

Minha carne sangra, minha cabeça engana-me, meus lamentos explodem, meu fundo é preenchido com remédios prescritos. E ainda tenho que ouvir que tenho que ser forte, pois estou me entregando. Que devo ser o mais forte para conseguir o sucesso. Obrigado, não quero sucesso. Muito pouco sua pena. Ainda menos seus argumentos infundados.

Dizeis que os meus pulsos abertos merecem seu olhar de pena? Meus pulsos batem ao som do meu coração; este nem mesmo ouço bater. Pois foi silenciado pelos remédios. Apenas sei que grita, que bate, apenas acredito em sua melhora.

Eles são mais fortes, pois aprenderam a preencher o fundo. Mas, caso um dia meu fundo seja inundado, pelos menos que seja de felicidade, de empatia pelo próximo, de esperança e de uma força que eu seja seu dono.

Esgotei-me de saber que eles sentem pena, uma subalterna empatia bastarda. Força, quem sabe eu tenha. Tristeza, culpa, medo, angústia, desânimo, negatividade são sentimentos e consequências de uma vida. Felicidade, benevolência, força, esperança e positividade são emoções que aprendemos a sentir, pois quando estamos no fundo, tentamos com toda a força trazê-los para nós.

Nos campos, nas aldeias, nas metrópoles, e sobretudo no tempo sempre existiu dor e sofrimento; na verdade, outra coisa que compreendi é que tristeza é uma dor que ressoa em cada coração, todavia de uma forma diferente, intensa, ou simplesmente leve.

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