Fascinação

Era um tarde loucamente tediosa. Nunca havia amado, pensava eu. Por ventura até os dias de hoje amar é distinto, é poema cheio de esplendor, mistério que entontece.

Nos braços dele, contei meus segredos, minhas transgressões, meus lamentos, e derramei sobre ele toda minha paixão. Minhas amigas alertavam-me pelo fato da palavra pegador ser sinônimo de seu sorriso.

Ele era sedução , poema de amor, água na boca do garimpeiro exausto. Eu estava na altura de enlouquecer de tanto amor, ele me inspirava, chegando ao ponto de eu olhar fixamente para o sol, e ter como resposta a intolerância do mesmo ao meu olhar.

Acabou. Deixou de existir. O poema virou título de carteiro. O amor virou sofreguidão. O sorriso ainda me entontece, mas como lembrança de fazer o cérebro sangrar e sentir dor.

Poderia fazer um livro de cada uma das suas faces, ele era vários, múltiplos gostos, rostos, cheiros, e todas suas definições eu amei. E por isso, cada dia choro por uma diferente. Ao olhar-me no espelho vejo uma mulher atípica, acostumada com o barulho da chuva, sempre alerta, mas, o que até eu escondo é uma chama de paixão, chamas que queimam.

Hoje, eu tenho certeza que ao sair de sua vida, junto com ele foi a minha. Então por que terminei? O que adianta amar e não ser amada intensamente. O seu amor era cabível aos gostos limitados de cada um que diz que ama. Amar é loucura, é não sentir o chão, é descer as escadas pisando em um tapete vermelho dançando valsa.

E as tragédias, e o amor inexplicável, e o quebrar dos ossos, sempre eu a solicitar ser amada. Não ao amor sem loucuras intermináveis. Sou fascinada em amar, sou fascinada em sentir, sou fascinada em fascinação.

E então, na madrugada de um sábado, ao ver o seu lábio frio, suas reclamações: eu corri, ele não veio atrás. Tampouco eu desfiz meu caminho traçado. Ele estava cansado de minhas imperfeições, já eu de suas não imperfeições.

Ele é uma lembrança guardada com carinho, lembrança que desperta sons, cheiros e fascinações. Posso ter minhas limitações, mas elas nunca me ensinaram a ser comportada. Por isso, sinto o extremo, vivo o veemente, sou inquietante, sou extremista.

Ainda vivo, ainda sinto, ainda acordo e faço o sol se perder em meus olhos. Cada pessoa que eu vivo dentro dela, deixa marcas, que sofro quando as abandono por não me sentir tão viva dentro delas. Há uma fila de abandonados, mas jamais de esquecidos, pois ainda  eles vivem dentro da minha vasta essência.

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